CES 2015: para o setor de eletrônicos, Brasil está desmoronando
ces2015

Na CES 2015, maior evento de tecnologia do mundo, analista afirma que expectativa em relação ao Brasil é baixa e que o País se encontra em dificuldades econômicas e políticas

Para a Consumer Electronics Association (CEA), responsável pela CES 2015, maior feira do setor, que acontece de 6 a 9 de janeiro em Las Vegas (EUA), o Brasil está desmoronando enquanto mercado de eletrônicos.

Em sua apresentação sobre números do setor, Steve Koenig, diretor de análises da indústria da CEA, disse que o País, enquanto um representante dos BRICS (sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China, que se destacam no cenário mundial como países em desenvolvimento), está em colapso, e que as expectativas para este ano são fracas, com os números se mantendo apenas estáveis.

O especialista citou não apenas o cenário econômico global e nacional, mas eleições acirradas como fatores que devem diminuir o ritmo de crescimento do setor de eletrônicos no Brasil. Também foram apontados como fatores a falta de infra-estrutura, a baixa produtividade e os resultados das vendas de final de ano, que caíram 1,7% segundo números da consultoria.

Smartphones lideram os sete magníficos

Globalmente, segundo análise feita em parceria com a Gfk, os smartphones devem continuar liderando a indústria em termos de receita. Ao lado dos telefones inteligentes, outras seis categorias de produto devem continuar reinando em 2015 e foram chamadas pelo analista de os sete magníficos, em referência o filme “Sete homens e um destino”, (The Magnificent Seven, em inglês). São elas TVs de LCD, notebooks, tablets, PCs, celulares comuns e câmeras digitais, nesta ordem.

Ao todo, o mercado de eletrônicos deve girar US$ 1.024 bilhão neste ano, contra US$ 1.017 bilhão em 2014. Desse total, apenas US$ 210 milhões serão gerados por produtos de outras categorias que não as mencionadas anteriormente.

China lidera crescimento do setor e pressão por menores preços

Para 2015, a previsão da CEA e da Gfk é que 1.509.761 unidades de smartphones sejam vendidas, um crescimento de 19% em relação ao que se espera do fechamento de 2014, ainda com dados em consolidação. E, como nos últimos três anos anteriores, os mercados em desenvolvimento é que serão os principais responsáveis por esse aumento, 75%, contra 25% dos chamados mercado maduros. A China será responsável por 34% de todos os aparelhos vendidos no mundo neste ano.

Já o preço médio de um smartphone deve diminuir, chegando a US$ 275 em 2015.

Marcas que estão fazendo sucesso na China, como OnePlus, Xiaomi e Coolpad, que oferecem aparelhos realmente bons por preços razoáveis, devem fortalecer sua presença no mercado.

Isso deve pressionar grandes competidores como Motorola (agora parte da Lenovo), Huawei, Samsung e LG.

Tablets crescem entre os emergentes, TVs entre os mercados maduros

Embora menor que o mercado de smartphones, o mercado de tablets deve crescer 20% em 2015 e chegar a 337.009 unidades. Mais uma vez, os mercados emergentes lideram o crescimento da categoria. Com os modelos mais baratos e mais diversificados se consolidando, o ganho das fabricantes deve ser 8% menor que 2014, correspondendo a maturidade do produto. A média do preço dos tablets deve se consolidar em US$ 259, com aparelhos de telas menores que nove polegadas correspondendo a 59% dos pedidos.

Já as TVs devem continuar a crescer, ainda que lentamente, chegando a 251 milhões de unidades vendidas em 2015. O aumento nas vendas se deve não apenas as inovações das fabricantes, mas a uma tendência de migração para as grandes telas que é, de acordo com o especialista, mundial. Em sete anos, a média de polegadas de um TV migrou de 31 polegadas para 41 polegadas.

As TVs 4K devem representar 23,3 milhões de unidades. Deste total, 57% dos aparelhos devem ser comercializados na China. Outra novidade que deve conquistar os clientes é a tela curva. Para 2015 é esperado um crescimento de 245% no envio para lojas desse tipo televisão.

Fonte: Ig