Coronavírus e seu impacto nos negócios

O impacto nos negócios provocado pelo Coronavírus é trágico em todas as esferas da economia, porém é possível continuar na ativa mesmo com o surto.

Seja no rádio, na TV ou nas redes sociais, todo mundo está falando de coronavírus. Além disso, surgiu uma polarização entre as pessoas sobre dar assistência à economia ou ao combate à doença. No entanto, o impacto nos negócios gera impacto negativo no combate à pandemia.

Esse raciocínio vem de um fato muito simples: sem sistemas de distribuição de recursos atuantes (princípio do capitalismo) irá faltar insumos em todos os lugares. Porém, isso deve ser ponderado com o cuidado que o surto requer, pois as pessoas também fazem parte da economia.

Dessa forma, se todos ficarem em casa e não apoiarem a economia, iremos perecer pela falta de recurso. Porém, se todos seguirem suas vidas como se a doença não fosse nada, ela irá dominar boa parte do Brasil, travando toda a economia e caindo na mesma situação que a anterior.

Chegar a um consenso é vital nesse momento de crise, e para isso devemos entender como a pandemia está ruindo nossos sistemas de distribuição de recursos (a economia).

Impacto nos negócios causado pelo COVID-19

De uma forma resumida, podemos dizer que o impacto nos negócios causado pelo COVID-19 foi generalizado. Dessa forma, todos os setores da economia foram ou atingidos diretamente pelo surto, ou indiretamente por ele. Ninguém escapou ileso.

No entanto, como você já deve ter imaginado, alguns setores sofreram muito mais do que outros, e em vez de citar tudo misturado no texto, vamos deixar todo o conteúdo separado por “grandes áreas” de nossa economia. Assim será mais fácil para você acompanhar o conteúdo.

Siderurgia, mineração e celulose

Em uma análise realizada por especialistas do Itaú BBA, um comparativo entre 2020 e 2003 foi feito, tornando mais fácil nossa compreensão do problema. Para te situar quanto à esta data, foi um período onde tivemos a crise do SARS.

No entanto, ao contrário do que vemos nos dias de hoje, o impacto em 2003 foi bem menor nos commodities do que o atual. Dessa forma, a recuperação das empresas nesse setor foi bastante rápida, e nada de muito grave aconteceu.

Porém, algo que devemos levar em conta para realizar uma comparação precisa é o tamanho da China hoje. De fato, a China de hoje é várias vezes maior do que a de 2003, além de consumir muito mais recursos para sua subsistência.

Dessa forma, é esperado que o impacto do COVID-19 seja muito maior hoje do que em 2003, dado que uma parcela maior da economia ficará “travada”.

Assim, empresas que trabalham com commodities sofreram impactos catastróficos, principalmente a Vale (VAL3) e a Suzano (SUZB3). Isso porque a China consome mais de 70% da demanda por minério de ferro do mundo.

Uma diminuição nessa demanda significa excesso de estoque, que acaba implicando na diminuição de valor, e por fim temos demissões em massa. Demissões em massa leva à falta de circulação de dinheiro, e lá na ponta disso tudo temos uma crise enorme nos esperando.

Para piorar ainda mais, a China também corresponde a mais de 30% do consumo de celulose no mercado, impactando diretamente nas empresas do mundo todo. Isso gera o ciclo ilustrado no parágrafo anterior.

Porém, existe um mitigador dos efeito no setor de celulose, que é a produção de papel para consumo interno. Dessa forma, o impacto seria indireto nessas empresas, sendo muito menor do que em outras.

Por fim, temos as siderúrgicas, que pouco são afetadas pela China. A grande sacada para entender esse ponto é olhar para onde o produto delas vai: mercado doméstico. Isso significa que outros países pouco influenciam nesse setor.

No entanto, temos sempre a influência indireta, pois os preços no Brasil dependem dos preços no exterior.

Em 2003, o preço do HRC e vergalhão caíram 19% e 4%, respectivamente, mas rapidamente se recuperaram para valores anteriores à crise. Além disso, a depreciação da moeda local ajuda a minimizar os danos dessa queda nos preços.

Petróleo

O coronavírus tem seu maior impacto nos negócios quando o assunto é petróleo. No entanto, isso é uma faca de dois gumes, pois o que cai de um lado, levanta do outro!

Em meio à pandemia de COVID-19, uma imensa quantidade de petróleo não foi consumida pela China, levando a uma retenção de estoque extraordinária.

Dessa forma, como a lei de ouro da oferta e demanda prega, se um produto está abundante seu preço tende a cair: e isso aconteceu ao ponto de convocar uma reunião da OPEP.

Além disso, como se o caos já consolidado não fosse o suficiente, uma disputa entre a Arábia Saudita e a Rússia estourou, trazendo várias outras quedas no valor do petróleo.

O resultado disso por aqui? Queda nos preços de gasolina por todo o Brasil. Sim, meu caro leitor, nem sempre as quedas são ruins: muitas delas apresentam oportunidades, que iremos entrar em detalhes mais para frente neste artigo.

Como era de se esperar, empresas como a Petrobras (PETR3/4) tiveram suas ações dizimadas nas bolsas ao redor do mundo, e a própria não foi uma exceção.

Toda essa confusão foi causada pelas refinarias chinesas, pois estas cortaram suas produções de combustível em vista das especulações sobre o mercado.

Fora o que foi citado aqui, temos uma gama de impactos causados pelo COVID-19 que serão deixados de lado, como o setor de transporte, turismo, automobilísticos e assim por diante.

O motivo disso é que a maioria dos demais setores da economia ou depende da celulose, ou das siderúrgicas, ou dos minérios ou do petróleo. Dessa forma, falar um pouco do que está acontecendo com cada um deles separadamente já fornece um panorama genérico sobre a situação que estamos vivendo.

Agora que você compreendeu um pouco mais a situação que estamos enfrentando, vamos trabalhar um pouco as oportunidades que ela apresenta.

Oportunidades que podemos aproveitar nesse momento

Se você é uma pessoa madura, já deve ter notado que até mesmo as piores situações apresentam oportunidades únicas de evolução. Assim, o momento presente também tem muito a nos ensinar, seja no âmbito pessoal ou no profissional.

No entanto, para não nos estendermos mais do que o necessário, iremos focar apenas no profissional, principalmente para quem possui um negócio próprio e está sentindo os impactos das medidas do governo.

Porém, existem oportunidades para quem poupou um pouco de dinheiro, mas para isso é necessário ser tolerante à risco. Vamos iniciar pelas dicas para as empresas.

Impacto nos negócios pelo COVID-19? Inove!

A inovação é a mãe de todos os negócios bem-sucedidos do mundo, e se você quiser sobreviver a esta crise (e as demais que virão), é importante inovar. E não venha com inovações do tipo “vou mudar a logomarca da empresa” não: é importante realizar um trabalho profundo de verdade.

Olhando para algumas informações que correm na mídia, vemos que os restaurantes são os que mais estão sofrendo nessa crise. Porém, você acha mesmo que não há espaço para eles lucrarem? É claro que existe, mas para isso é preciso inovar!

As pessoas estão trancadas em casa, e grande parte delas está morrendo de medo de sair de lá. O que você como um restaurante pode fazer? Entregar comida à elas.

No entanto, esse serviço também deve ter caído, pois há um clima de pânico quanto ao contágio da nova doença. Dessa forma, o que você pode fazer é garantir que seu alimento não estará contaminado. Já imaginou ser o único restaurante que faça a higienização “contra o coronavírus” de sua cidade? Pois é, ia ser épico para as vendas.

Mas calma lá, pois é importante que entregue o que está prometendo. Assim, procure comprar um bastão de raios ultravioleta, por exemplo, e aplicá-lo sobre suas entregas antes de despachá-las. Esse procedimento é realizado em hospitais que têm pacientes com COVID-19.

Essas pequenas mudanças são boas para todos: os clientes ficam satisfeitos, sua empresa consegue lucros, e de quebra ajuda a prevenir o espalhamento do COVID-19.

Expanda sua visibilidade

Não pode trabalhar da forma que está acostumado? Ótimo, vamos usar o cérebro e mudar a forma como as coisas estão sendo feitas.

Ninguém está aparecendo em seu estabelecimento? Vá atrás de seus clientes. Para isso, faça telefonemas, ofereça entregas gratuitas, vá no portão deles vender seu produto. As pessoas precisam das mesmas coisas que antes do surto, mas estão acuadas em casa.

Uma ótima forma de atuar nesse mercado é utilizando a internet. Fez uma modificação em seu modelo de negócio para se adaptar ao surto de COVID-19? Publique em sua página no Facebook.

Sua empresa tem ofertas de “queima de estoque”? Mande isso em todos os grupos de WhatsApp que é membro.

Nesse momento de calamidade pública, a única coisa que o empreendedor não pode fazer é ficar parado. Pior ainda se esperar ajuda do governo, pois ela com certeza não será suficiente.

Entenda bem o estado em que sua empresa se encontra, estude alternativas para combater os impactos da pandemia tanto na sua empresa quanto em sua cidade como um tudo, de preferência ao mesmo tempo. Para fazer isso, elabore um plano de ação e só pare quando der certo.

De olho no mercado de ações

O mercado de ações está em “liquidação” nos últimos meses, e se possuir uma poupança que pode correr o risco de perder, esse é o momento certo para usá-la.

No entanto, para diminuir a chance de perder dinheiro com essas operações, procure entender o preço real das ações que deseja comprar. Dessa forma, ao invés de se guiar pelo mercado, você estará pensando como um sócio da empresa, sendo esta a postura correta.

Existem várias ações que estão sendo vendidas a preço de banana, e para isso você pode olhar o histórico de preço delas ao longo dos anos.

Só para exemplificar, algumas nunca foram negociadas abaixo dos R$ 30, mas chegaram a R$ 5 nas últimas semanas. Isso significa que uma hora ou outra essa ação vai retornar para os R$ 30, fazendo com que seu dinheiro investindo nela seja multiplicado por 6.

Se investiu R$ 1.000 hoje, no futuro pode estar tirando R$ 6.000; se foram R$ 10.000 investidos, poderá sacar R$ 60.000.

Embora esse tipo de investimento seja arriscado, existe um histórico de valorização rápida após surtos de doenças. Dessa forma, a distância temporal entre o investimento e o retorno pode estar na ordem de 1 ano, com base em estimativas.

No entanto, mesmo sendo uma ótima opção para se fazer dinheiro rápido, também é uma ótima forma de perder dinheiro rápido. A empresa que você investiu pode vir a falência por causa do surto, por exemplo, e todo seu dinheiro pode ser perdido.

Por essa e outras razões é importante nunca usar dinheiro de emergência, ou qualquer quantia que vá fazer falta para você no curto prazo, pois o retorno pode demorar muito tempo para chegar.

Faça por algo maior, não somente pela ganância

Tudo bem que no tópico anterior falamos de como fazer dinheiro “fácil” por meio de ações, mas isso em si não resolve o problema que estamos enfrentando.

Nesse momento de desespero, todos nós devemos olhar ao redor e amparar quem precisa de ajuda. Assim, o lucro da sua empresa deve ser uma medida do quanto ela está sendo eficiente nessa crise, não sua capacidade de ser “esperto” e se aproveitar da fragilidade do próximo.

Vimos, por exemplo, o aumento de preço artificial do álcool em gel em alguns lugares. Aquele lucro extra realmente ajuda em alguma coisa? A resposta é não, mas não é intuitiva.

Aumentar o preço sem haver uma necessidade real do mercado permite um “ganho fácil”, mas também ajuda a aumentar as estatísticas de contágio do COVID-19. Com menos álcool em gel na mão das pessoas, há um aumento no contágio e consequentemente de mortos.

É nesse ponto que devemos refletir sobre o preço da vida humana. O dinheiro extra por causa do aumento de preço quase não terá impacto na sua vida, mas a morte de um pai ou uma mãe irá arruinar uma família inteira.

Equipe Webby